Tenho andado mais carinhosa ultimamente. Toques de leve nas pessoas, abraços, palavras, começo a criar a ilusão de que superei minha barreira. É claro que é exagero, com quem eu realmene quero eu não sou carinhosa do jeito que precisava...
Aniversários são engraçados, pelo menos para mim. Realmente não gosto, fico incomodada com o fato das pessoas me darem parabéns sendo que não têm realmente interesse nisso, fico nervosa em pensar que pode não vir ninguém, e por fim me desgasto tentando ser sociável com todos, igualmente. Óbvio que nunca dá muito certo, sempre queremos tudo, o tudo mais errado.
Quem a gente quer que venha, mas tem medo disso ao mesmo tempo, não vêm. É fato. Não veio. Chorei, mas ninguém viu, como deve ser. Eu me preocupo, quero saber como está, mas a ausência me irrita tanto que não consigo fazer nada.
Eu vejo os momentos de cima, o abraço como se tivesse sido pela televisão, aquela cena cômica em que eu perdi todos os sentidos, deturpando todas as formas de sentir, exalando palavras que não me pertenciam, um medo besta de cair que mais era um convite a rolar no chão na frente de todos. Destes momentos saem as frases mais idiotas e sem qualquer sentimento.
Eu não me destravei.
Preciso que aquele abraço tenha sido verdadeiro.
Não lembro o que ele me disse, a audição tinha ido passear enquanto o resto do corpo tentava distinguir algum sentimento. A sensação era de um forte choque, um brinde entre copos de hormônio, cada um tombando no outro, milhões de pessoas falando ao mesmo tempo.
Bosta.