The Insane Clock

Insane clock in my head, strange hours that doesnt exist

Saturday, July 29, 2006

Não existe o remédio, existe a morte e o renascimento, a filosofia é budista. Sabe já que não mais tem seus olhos para si, já sente o cheiro, o abacaxi, só ácido e espinhos. Não tem mais volta, a borda já escapou, entrou no brinquedo e agora a única forma de sair é passeando nele. Pode causar náuseas, sensações alucinantes como um bom soco no estômago, mas essa é a graça. Não volta...as coisas se ajeitam sozinhas, as coisas se ajeitam quando tiverem que ser...ela já fez tudo o que podia, já doou seu sangue inúmeras vezes, se cortou inteirinha na mente, se diminuiu o máximo possível ao olho nu. Já foi feito tudo, principalmente o nada. Agora é a hora de fazer alguma coisa.

"A vida é um soco no estômago" Clarice Lispector

Friday, July 28, 2006

Ansiosa, sempre ansiosa...

Deve ter alguma análise para isso. Sempre que tenho um pesadelo, vem uma cadeia deles, não perdem tempo! Vão surgindo na mente, durando cerca de minutos cada (ou horas, no sono não saberia dizer) e sempre bem perturbadores. É um complexo de preocupações acabando com uma noite que poderia ter sido bem dormida. Mas não me pergunte se eu preferia uma noite sem sonhos que eu não sei. (Eu não sei nada, não entendo nada.).

Wednesday, July 26, 2006

Conexión passado-futuro. Ou clichê nosso de cada dia.

Lendo e relendo e lendo e relendo. Não sei se acrescenta alguma coisa, sempre acrescenta. Nem que seja o nada. Na verdade, deveríamos nos sentir confortáveis, pois sempre nos resta o nada. E o nada pode ser tudo, quando você menos espera. É fato que já fui mais drama-queen do que hoje, o que chega a assustar, as pessoas me aguentaram bastante! Post inútil pra mim mesma.
Mudando um pouco o assunto, precisamos aceitar que na maioria das vezes fazemos algo esperando receber. Toda aquela coisa de dar sem esperar realmente é o ideal, mas também uma das coisas mais difíceis que existem. Eu luto por isso todos os dias, mas a verdade é que como acabo fazendo de qualquer maneira (e recebo algo em troca muito poucas vezes), acabo aprendendo na marra. Bem no estilo "quem não tem cabeça, tem perna". Dar sem esperar receber...dar sem esperar receber...de qualquer forma recebo, nem que seja o nada, certo?

"Na verdade, deveríamos nos sentir confortáveis, pois sempre nos resta o
nada."

"...your imagination can be morbid"

Primeiro era uma casa na praia, noite de ventos, clima harmônico entre amigos ou familiares, os rostos eram esfumaçados e as vozes difusas, não reconhecera. Via o mar da janela e ria, ah, ela ria. E como num piscar de olhos o mar ficou mais próximo e num baque surdo atingiu a frente da casa...treme a estrutura, primeira onda..."o que é isso?" volta a onda....plath! quebra as janelas "o que é isso?!" a onda se retrai e volta com mais força plath! a casa se mexe, as pesoas assustadas, harmonia se foi com a água.
Depois era o apartamento e uma irmãzinha, todos zelavam pela pequena. Atração do dia, ou da noite, o céu era cinza chumbo, talvez fosse tarde. Dentre os rostos a mãe que não era a mãe, mas era. E a pequena corria e corria, teria que cuidar da baixinha. Corre! Se esconde, pequena, se esconde...cansa e pára em frente a sacada, semi-aberta. Era uma fresta tão pequena...A pequena era mais ainda, ganhou os olhos nos dela, "não faça isso..." Uma fresta tão pequena...a criança mais ainda, num escorregão ganhou a sacada. Correu para abrir, ela era grande, as portas eram pesadas, "Abre! Abre!!". A pequena, de tão pequena, passava pela fresta da grade. O olhar de espanto não brecou, a pequena não estava mais ali, o berro não saiu, as mãos passaram pelo buraco em que segundos antes o corpinho se encontrava....

A cama lhe pareceu um lugar menos confortável, o café desta manhã
poderia muito bem estar batizado.

Tuesday, July 25, 2006

Os elfos de açúcar

As pessoas são tão simples e previsíveis que dão até pena. Por fora somos todos diferentes e incompreensíveis, por dentro somos todos manteiga já rançosa. Alguns são pedra, por dentro e por fora, são o prático, me dão nojo. Outros por fora são o aço, por dentro são essas tristes manteigas esperando por alguém que as complete. É triste. Outras mostram a manteiga na espera de que os outros também se animem, mas quase sempre são só manteiga no tempo, que geralmente se estraga nessas condições. Cadê aquela coisa de criança que ao mostrarmos algo que temos vem a outra e diz "eu também tenho, olha!"? Perdemos toda a mágica e, dessa forma, se torna bem óbvio e talvez mórbido demais atestar pela milésima vez que somos infelizes.

Se você não é, está mentindo pra si mesmo. Ou não tem mais que seis
anos de idade (eu quero voltar aos seis).

Corrompendo células

Esta coisa chamada alma está cansada de ter contatos breves, superfícies, bordas, rebarbas. O todo não existe mais, pelo menos não para ela. Esta casca grossa e estúpida que forjamos contra tudo o que pode ser bom forma uma não-vida, uma passagem breve e insípida por esta bola a que chamamos de mundo. O antígeno é a solução, antígeno que mata os glóbulos e te perfura sem perdão, se instala lá dentro, na sua grande geléia pessoal, só sai dali quando quiser e você tem de conviver com ele. Tenho certeza de que se for puxar papo com o novo morador você vai gostar.

Cotidiano. Mentiras. Ou verdades.

Pitadas de sono e insatisfação que talvez signifiquem a mesma coisa. A mente borbulha em falso, não quer trabalhar em pensamentos arteiros, quer apenas o prático. Sentimentos são outra coisa, eles morrem com a praticidade, se encasulam em algum buraco esperando a sua vez. Quer ser anônima e ter pensamentos infantis, mente adormecida até o momento em que passem a pensar por ela. Os acontecimentos às vezes fazem isso, tomam nossa mente de tal forma que tiramos conclusões que com o cérebro confuso levaríamos anos-luz. Estou na fila à espera destes acontecimentos.

Me acorde quando chegar a minha vez.

Saturday, July 22, 2006

(Não) Conhecendo pessoas

Não foi a festa, foi a libertação, em parte. É sempre divertido trocar impressões bestas com pitadas de pura verdade em meio à tanta gente estranha. Estranha como nós, e continuo dizendo que me sinto bem melhor ao lado dos estranhos do que dos "normais" e também ainda não suporto todo esse catálogo de nossa sociedade.
A libertação vêm na parte em que descobre que é humana, ou melhor, animal. Descobre que seus instintos mais naturais ainda existem, não são lenda de uma vida esfumaçada. A perturbada mente redescobre que seu corpo é palpável e sente, das melhores e piores formas. Descobre que não havia desaprendido o beijo, e que ainda pode se vangloriar (porque a vaidade ainda é tudo para uma velha baixa-estima) dos efeitos que produz no outro corpo. De todos os elogios e olhares e bocas e abraços e língua e barba, de todos os torpores, o que ela guarda é o mais legítimo:
"- Você devia ter ido pra casa comigo...
- Não tem como...mas eu que sou besta, que estou perdendo...
......
.....
...
..
.
- Olha, acho que eu é que saio perdendo mais, viu..."
Pra bons entendedores, nada deve ser preciso. Libertina? Não, realista. Aquela que se achava vapor descobre a matéria...

O problema é sempre o depois, é sempre o não-ser-você-mesmo
cotidiano...falar a verdade sem teor alcoólico causaria o apocalipse?

Wednesday, July 19, 2006

A verdade sobre o post abaixo

Drama queen, ninguém pode negar. A verdade é o vazio. O medo do vazio. A raiva que a saudade produz. As ilusões que a mente cria com a falta de alguém. Se me sinto culpada? Sempre, não há como tirar da cabeça obsessiva que tudo foi por sua culpa, mesmo sabendo que sempre, sempre, a culpa é conjunta. Pelo menos no caso dos relacionamentos, ou pseudo-ones. Vivo num grande muro, já me disse alguém um dia que todos estamos dentro do The Wall. Meu muro é de aço, eu tento sair, mas pela pouca experiência a primeira coisa que dá errado eu já quero voltar a me esconder na fortaleza. Quero ser ajudada, mas não sei se deixo. Quero deixar, mas não sei como faço. Ciclo vicioso...alway's the little girl with almost nothing wrong but she's all alone...E quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

Obsessões

Por quê minha mente é tão obsessiva? Influências astrológicas? Besteira atestar isso e não fazer nada a respeito. Não sei o que fazer a respeito. Penso o dia inteiro, a noite inteira e me anulo, sempre me anulo. Quero o bem do outro por egoísmo ou altruísmo? Não sei dizer. Volto ao que disse logo no primeiro post desse blog, meu altruísmo é egoísta que só. Tudo para manter a obsessão. Mas talvez o amor seja assim mesmo, uma grande obsessão, e vivemos a pensar em todos aqueles a quem queremos bem, incessantemente. Faz muito tempo que não ouço que alguém me ama, parece que o amor romântico me abandonou faz um longo tempo. Fica a eterna pergunta clichê se sou amável, se fui feita para ter relacionamentos. Ultimamente, ou sempre, parece que não...que só sei sentar e apreciar o que os outros têm, ver tudo em minha frente sem mexer um dedo e por mais que eu faça algo, as coisas não dão certo. Eu preciso que algo dê certo pra variar um pouco, está ficando difícil demais ser otimista...

Tuesday, July 18, 2006

But I still haven't found what I'm looking for...

Andando pela rua poluída vejo meu prédio, o único da rua, construção imponente que sempre parece que irá recair sobre minha minúscula cabeça. Talvez eu quisesse ser mesmo tragada pelo chão, pelo vento, não, eu queria ser tragada pela boca. Queria ser aninhada nos braços, não mais sentir que pensamentos existem na torpe mente, ah....isso poucas vezes acontece e deixa uma impressão e fome muito mais fortes do que qualquer droga que eu experimente. Mas não, sou apenas a libertina em pensamento que viu O Libertino agir nos cinemas e ficou a se corroer de inveja. Será?

Monday, July 17, 2006

Acorda pra cuspir!

Segunda-feira, hora de deixar sonhos de lado e virar mais uma no rebanho. O trem lotado me espera, os afazeres mecânicos e a monotonia do dia-a-dia "responsável" e "útil". Enquanto isso, tudo o que me acalenta hiberna aqui dentro, em algum lugar quentinho e confortável. Me partiria em duas pra continuar vivendo na mente, sentindo e mentindo pra si mesma...como é ótimo mentir pra si mesma, na maioria do tempo. Mentir não que é feio, iludir.

Sunday, July 16, 2006

Acordado e sonhando, sonhando acordado, ou só sonhando

E assim o mundo gira, ou foi o que descobriram há muito tempo atrás. Ninguém está a salvo de descobrirem que na verdade o mundo é um losango e que fazemos constantemente piruetas malucas para se manter com os pés no chão. Ninguém está a salvo de descobrir que tudo era um sonho, por mais que tenham batido a cara mil vezes na parede e sentido o gosto do sangue em sua boca....o conceito de realidade é apenas um conceito, como tudo. Os sentimentos são mais incompreensíveis do que todo o sentido do Universo (se é que há um), só sei que sinto, que choro, que grito, que quero amar, partir, fundir, rasgar, comer, dormir, trepar, gastar, matar, sonhar....sempre sonhar. Nos sonhos somos toda a bagunça quer nos habita. E viva os sonhos e a realidade e tudo o mais que inventamos pra nos distrair neste losango mal feito.

Friday, July 14, 2006

Não entendo mesmo....mesmo!

Não sei se sinto mais saudades ou só raiva. Ao mesmo tempo sabendo que não sinto raiva, que não sei o que é isso aqui dentro, o que é que borbulha e atrapalha a vida. A verdade é que sempre temos que esperar por algo, se não nem aguentaríamos um só dia. Ninguém pode viver sem sonhos ou novas perspectivas. Eu quero algo muito difícil de acontecer e com a eterna dúvida se é mesmo o que quero. Certas coisas só sabemos quando estas acontecem, mesmo quando não acontecem e o tempo passa (quando achamos que temos uma nova visão daquilo tudo) temos uma visão deturpada, de eterno arrependimento de quem não fez. Não posso levar essas emoções tão à sério, mas é difícil ignorá-las sendo que este é meu vício, esta é minha sina, este é meu prazer.

Querer nunca foi acontecer

As coisas que esperamos demais nunca acontecem. Podem até acontecer, de certa forma, mas nunca do jeito que imaginamos. Podem vir a mais ou a menos, dentre outras variações, mas se algo que queríamos realmente acontece inteiramente...deve ser o apocalipse! Por isso sempre digo que os acontecimentos são variações de possibilidades que esquecemos de pensar e, nessas horas, eu agradeço toda a parte de física quântica e o escambal que me proporciona os acontecimentos, se não quem pensasse demais só pensaria e ponto.

Thursday, July 13, 2006

Lucky, lucky...you're so lucky

As pessoas só deviam pegar algum amuleto da sorte quando já sabem que não precisam necessariamente dele e que o dia será ruim mesmo, só assim eles melhoram alguma coisa. Já cansei de escolher algo que me traria sorte num dia fatídico e depois ter certeza (uma certeza nada absoluta e racional) de que o amuleto me trouxera o fracasso. Hoje era um dia ruim, vesti amuletos e o dia foi mediano. Não, o dia não foi mediano, o dia foi ótimo só por uma coisa. Engraçado por outra. E significativo por outra, ainda. Estou feliz? Não sei, fiquei eufórica uma boa hora....esperando por algo acontecer, algo que não aconteceu, mas as coisas boas não acontecem por inteiro mesmo, eu é que espero demais de tudo. Mesmo assim pequenas coisas importantes, que dão um mínimo de esperança pra alguém que estava realmente cansada do tudo e do nada.

O que ela precisa é de um....

Pensamentos são diabinhos. Isso se eu acreditasse em anjos e diabretes, mas pensamentos continuam sendo inóspitos e malvados. A raiva brota do chão ultimamente, não tem hora pra chegar nem hora pra se esvair, o que ela mais curte é borbulhar minha paciência no mínimo toque, na mínima aparição. Fecho minha cara, de nem ao menos um amigo, e xingo mentalmente tudo à minha volta. É fácil saber que estou infeliz com muitas coisas. Mais fácil ainda saber do que preciso. O ridículo é saber e não poder fazer nada. E assim vou enervando meus dias...

Tuesday, July 11, 2006

Velhas pessoas

Passado, passado....ele bate à porta. Bem específicamente, chama no MSN (o que hoje em dia significa quase a mesma coisa, já que diminuimos absurdamente nosso contato físico com outras pessoas...). O que assusta é que ainda é reconfortante falar com ele, sempre foi. O intrigante é que há vários motivos para não ser, mas as supremas verdades sempre engolem tudo. O tempo engole tudo. Engoliu toda a raiva que eu senti e não senti dele. O pior é que ele sabe e gosta de ser o passado. Alias, gosta de ser o passado que volta de vez em quando, volta e continua sendo o que sempre foi. Quase nada mudou nesse aspecto, mas também hoje, muito tempo depois, quase dou vivas de que é passado e de que sempre será.

Espero eu, com metade das esperanças, a outra metade é confusa demais
pra falar alguma coisa.

Monday, July 10, 2006

Sábado à noite tudo pode mudar

Sábado de febre. 39,2°C. Costumo entrar em delírio nestes casos. O delírio é o triplo de se estar bêbado no que diz respeito ao famoso in vino veritas. Pouco antes de adormecer, eu e toda minha quentura ficamos pensando nos possíveis delírios...sou famosa por estes. A verdade é que fiquei com medo, "e se eu disser o nome...?", eu não poderia correr esse risco, a última coisa que queria era que alguem escutasse e depois viriam as perguntas, assustadoras perguntas que eu nunca espero ter que responder. Pensando nisso, adormeci. Não sei se disse algo comprometedor...Se disse, acho que ninguém ouviu, ainda bem.

Thursday, July 06, 2006

O mundo é uma droga

E nesse mundo abarrotado de gente ninguém consegue se encontrar. São ínfimas as pessoas com quem nos identificamos de alguma forma. Nunca conhecemos ninguém inteiramente (muito menos à nós mesmos), mal temos um contato físico ou mental ligeiramente profundo. É fácil pensar que não somos de matéria, fácil demais. Por isso que somos todos tão viciados, se não em drogas externas, em internas.
E do vício em drogas internas todos nós padecemos. Há os que curtem adrenalina, outros a dor, outros gozar, sentir-se saciado, apaixonado....existem diversas drogas legalizadas pelo ser humano. Talvez a mais forte, e a mais perigosa, seja a felicidade, eterno diabinho que todos perseguem.
Essa tal felicidade...após ser experimentada pela primeira vez, vicia até a morte. Da primeira vez é tão grande e tão boa que quando some (e logo some) queremos mais, desesperadamente. Na segunda vez não é tão boa, mas ainda sim queremos, “vai ser igual a primeira...” e assim sucessivamente. Não há volta. Estamos fadados há escassos momentos de felicidade intercalados por uma vida inteira de sentimentos. Acho até que todos os outros existem só pra cobrir a falta deste.

Wednesday, July 05, 2006

Olhando bem de perto, nada é comum. Ainda bem.

Tudo é relativo. As histórias têm infinitos lados e argumentos. Todos têm seu tempo. Nada pode ser considerado unânime, de alguma forma tudo é manipulado, o natural é não ser natural. Engraçada é essa necessidade do homem de inventar o limite, a forma, o normal e o apropriado. Inventamos muitas coisas impossíveis, mas estas foram as mais descabidas. Preocupados com o que inventaram, cada vez ficam mais longe de um propósito decente para a vida. De qualquer forma, tudo o que possa ser configurado como propósito ou decente não deve significar boa coisa....Quero dizer que o ser humano esqueceu de viver.
Talvez essas definições existam só para serem quebradas.

Assombrações

Senti um baita arrepio no trabalho, meu colega tem a voz igual à dele...e eu tive a absurda ilusão ao olhar para o lado de que o veria, jurei que era, era, tinha que ser. Agora essa voz me assombra, porque não existem muitas iguais à dele e não gostei nem um pouco de encontrá-la em tão pouco tempo. Não quero vozes parecidas, não quero bairros que lembrem, nem frases, nem escritos, nem músicas, nem nada, nada.... Eu queria ganhar logo a indiferença, esse precioso sentimento...

Tuesday, July 04, 2006

Sinais

A volta no desconfortável trem lotado: horário de pico, muitos suores , bafos, cheiros desconcertantes, cotoveladas e pouco, muito pouco espaço. O habitual. Finjo ser esnobe com meus fones, música alta instigando pensamentos, mas na verdade observo atentamente todos à minha volta, o prazer indomável. Ao meu lado, um jovem de seus vinte e poucos anos de mãos calejadas faz sinais para outro que está sentado na cadeira mais próxima (estávamos de pé). Não sei por que, pensava que surdos-mudos eram pessoas boas, pensamento ridículo, talvez até preconceituoso de certa forma, mas todos aqueles que conheciam os sinais me pareciam bons de coração.

Uma senhora ganhou meu olhar, a senhora e suas muitas sacolas. Ela fitou meu pequeno espaço com ardor, manteve o contato visual, que dizia claramente "deixa eu ir praí", eu me ajeitei e abri espaço. Não sei em que momento comentei que as pessoas eram sem educação e não deixavam as cadeiras preferenciais livres, fingiam que estavam dormindo e ponto. A senhora concordou, claro, e o jovem antes ao meu lado, agora em minha frente, adentrou na conversa: "concerteza". Não era surdo-mudo (não era mais bom?), mas sua impressionante frase me deu um sorriso torto. Disse mais alguma coisa sobre esse absurdo nos trens e, logo, critiquei o país e o modo como tratava os idosos (cotidiano) e o jovem concordou, olhou...concordou..."concerteza". Logo depois o vi tentando convencer (em linguagem de sinais) o amigo a deixar a senhora sentar (Seria uma boa alma?). O amigo não concordava com o belo gesto e o jovem fazia cara de reprovação (estaria eu errada sobre a bondade dos surdos-mudos?). Convenceu, enfim, o amigo, mas a senhora não aceitou a oferta. Se ofereceu, então, para abrir meu salgadinho. Eu não quis, "muito obrigada". Não...ele só queria comer, não o salgadinho, mas a mim. Pretensão? Não, realidade.

Pouco tempo depois vivi um clichê: olhar com faíscas. Vi uns belos olhos negros num lindo porte alto, roupas simples (perfeitas) e moreno de boca carnuda. Como sempre, fugi à minha maneira. Tinha um olhar marcante, que me procurou, e morri de medo. Desviei. Olhei para o velho broxante à minha frente, mais medo. Criei coragem e procurei o garoto de novo. Tive o reconforto, mais faíscas...e logo chegava em casa. Ele não parou na mesma estação. (Não consegui dizer o que queria com o olhar, o meu era mudo e sem sinais).

A não-lição dos dias

Quando pequena, devaneava sobre um beijo inesquecível, vivia para isso, nascera para isso. Mas também conciliava o romantismo com seus projetos de vida, queria ser bombeira, policial ou política. De dia pensava nos salvamentos, ou em como mudaria o mundo e de noite sonhava com seu príncipe encantado, príncipe não, o homem da sua vida era o Aladdin.
Hoje não sabe mais o que fazer, projetos de vida não habitam mais sua mente, pensa só no talvez. O romantismo? Escapou após o primeiro e tão sonhado beijo, ficou lá, talvez, no pequeno canto de um prédio para alugar. Isso só faz pensar que as pessoas desaprendem com o tempo...

Monday, July 03, 2006

As coisas fingem que mudam só pra confundir o hábito

Após muito pensar e não chegar há lugar algum, como sempre, se cansa e olha o mundo à sua volta. Seu altruísmo é egoísta que só. Seu egoísmo existe e está trancafiado de todos os meios possíveis, mas no fundo, na jaula, sabe que só tem olhos para si mesma e que cultivou isso durante toda sua vida. Não se perimitia olhar no espelho, não se permitia tocar a face, não se permitia ser olhada. Agora acha, ou finge, que permite. E assim o tempo passa, ou não passa...finge que passa, e pela primeira vez é um ser sociável, "útil".